Posts de janeiro \23\UTC 2012

Dica 421 – Enfrente a Timidez

janeiro 23, 2012

A Folha de São Paulo publicou no dia 22 de janeiro de 2012 o caderno Idiomas, como costuma fazer todos os anos. O caderno dá dicas e conselhos para quem quer aprender idiomas em geral, não só o inglês.

Há muitas ideias repetidas das edições anteriores, mas é sempre bom repetir, pois as dúvidas das pessoas são sempre as mesmas. Não só isso, mas as dificuldades no aprendizado se repetem muito.

Um artigo muito interessante chama-se “Você diz não saber o que houve de errado” (como na música dos Paralamas) e fala sobre as falhas cometidas por quem estuda um idioma. O artigo é assinado por Cristiane Cartacho e vale a pena ler, pois podemos tirar lições valiosas. Entre as diversas coisas escritas no artigo, acho importante salientar esse ponto:

QUEM NÃO ENFRENTA A TIMIDEZ TAMBÉM NÃO DESENVOLVE HABILIDADE
O esforço de tentar se comunicar em outro idioma costuma despertar simpatia e respeito dos nativos da língua. Portanto, nada de ter medo na hora de falar. Errar é absolutamente normal. Somente a prática e o estudo garantirão o domínio da língua.

Eu já falei em diversas ocasiões que errar é absolutamente normal e que faz parte do aprendizado. Quando a gente não fala, por medo de errar, acaba perdendo oportunidades de aprender mais. Ao errarmos e sermos corrigidos, aprendemos. Se não tentarmos, nunca saberemos se aquilo estava certo ou errado. Por isso é realmente importante deixar de lado a timidez.

Estive recentemente em Buenos Aires, na Argentina, e tive a chance de sentir isso na pele. Meu espanhol é bem ruim, mas eu tentei falar assim mesmo. Muitas vezes o que saía era Portunhol, mas consegui me comunicar. Eu nunca estudei espanhol e por isso qualquer coisa que eu consiga falar já é lucro.

Uma semana antes de viajar assisti a dois filmes em espanhol, um argentino (“O Segredo dos Seus Olhos”) e um espanhol (“A Pele Que Habito”), para ir me acostumando aos sons da língua.

Chegando na Argentina, tentava falar com todo mundo em espanhol. Os argentinos são muito simpáticos e comunicativos e tratam muito bem os turistas. Muitos deles, ao perceber que eu era brasileiro, falavam comigo em português. Meu espanhol é tão ruim que muitas vezes eu nem percebia se eles estavam falando comigo em espanhol ou em português com sotaque espanhol. Eu sempre tentava responder em espanhol, com o meu pouco vocabulário e nenhuma gramática. Muitas vezes eles falavam, eu respondia, e a Cris virava para mim e dizia: “Você percebeu que ele estava falando português, né?” Era engraçado, mas eu não me importava. Dava risada.

Em cinco dias na Argentina consegui aprender algumas palavras. Muitas delas aprendi depois de ter errado. Outras aprendi perguntando para as pessoas. Entrava numa loja, pegava um objeto na mão e perguntava: “Qué es eso?” Quando a gente aprende a perguntar “What’s this?” em inglês não imagina o quanto essa pergunta é útil.

Eu não estudo espanhol, mas fiquei com a sensação de que se estudasse, conseguiria aprender e me comunicar bem. O fato de ter tentado foi importante para mim.

A mesma coisa acontece com o seu inglês. É importante tentar. Mais uma vez quero deixar claro que não estou dizendo para você falar errado. Você deve tentar falar certo e usar os erros para aprender. O que estou dizendo é que você não deve ter medo de errar. Se errar, tudo bem. Depois você vai estudar mais e tentar corrigir o seu erro. Se você se esquecer de alguma coisa que já viu, tudo bem também. É normal nos esquecermos de palavras. A repetição vai fazer com que nos lembremos delas. Quando a palavra aparecer de novo e você não se lembrar, não se sinta mal. Uma hora você vai aprender.

Não é tão difícil vencer a timidez. Basta você pensar: “Qual a pior coisa que pode me acontecer se eu errar?” E verá que nada de grave vai acontecer. Se a pessoa não entender você, você vai dar um jeito de se comunicar. E é assim que se aprende.

Até mais,

Carlos

Dica 420 – Vejam o discurso de Adam Sandler no “People’s Choice Awards”

janeiro 14, 2012

Eu gosto muito de assistir às cerimônias de entregas de prêmio, como o Oscar, o Globo de Ouro, o Emmy, o Tony e outros. É uma oportunidade de você conhecer os filmes, programas de TV e peças de teatro que estão fazendo sucesso, alguns que nem chegaram até aqui. Também acho divertido ver os discursos de agradecimento, pois sempre aparece alguma coisa interessante e engraçada ou até emocionante. E é uma outra oportunidade de assistirmos a um programa em inglês, com vários sotaques, já que aparecem artistas de várias nacionalidades.

Eu nunca havia assistido ao People’s Choice Awards, que foi transmitido essa semana. É um prêmio diferente, pois os votos são dados pelo público. E acabam sendo premiados artistas que não aparecem em outros prêmios.

O programa foi bem divertido e a apresentadora Kaley Couoco (que faz a Penny em “The Big Bang Theory”) fez um trabalho muito bom.

Você pode achar o programa para baixar na internet e vai se divertir também. Um dos meus momentos favoritos da noite foi o discurso de agradecimento de Adam Sandler, que foi eleito o ator de comédias favorito. No seu discurso ele agradece aos seus professores, mas como não se lembra dos nomes deles, usa descrições como nomes. Vejam abaixo:

Esse discurso é um bom exemplo de como se pode brincar com as palavras em inglês. É muito comum em inglês se usar um substantivo como um verbo e outras coisas do tipo. Neste caso, Adam Sandler usa as descrições como nomes próprios e fez um discurso engraçadíssimo.

Muita gente reclama que não entende as piadas ou mesmo que não gosta das piadas deste tipo de programa. Como eu já disse antes, a língua e as piadas têm muito a ver com a cultura americana. Por isso, quanto mais você conhecer a cultura, melhor o seu entendimento da língua vai ficar. É questão de treino, como tudo.

Aqui vão alguns momentos do show.

Abertura, com o elenco de “The Big Bang Theory”:

 

Apresentação do show:

Há outros trechos do programa no youtube. É só procurar.

Quando a gente está se divertindo em inglês, às vezes nem se dá conta o quanto está aprendendo. Com o tempo a língua vai ficando cada vez mais natural para a gente. E é isso que nós queremos, não é mesmo?

Até mais,

Carlos

Dica 419 – Qual o melhor inglês para aprender

janeiro 10, 2012

As pessoas sempre me perguntam qual o melhor inglês para aprender, o americano ou o britânico. Na realidade há muitas opções – o australiano, o neozelandês, o canadense, e muitas outras.

Não existe uma resposta para isso. Como eu já disse antes, mesmo num mesmo país existem muitas variedades da mesma língua. O inglês americano do Texas, da Califórnia e de Nova Iorque, por exemplo, têm muitas diferenças. O inglês de Londres e de Liverpool têm diferenças.

O importante não é o que você fala. O importante é você conseguir entender o inglês falado em vários lugares. E como se consegue isso? Se expondo a muitas variedades diferentes de inglês. Assistam a esse vídeo de David Crystal, um dos maiores especialistas no ensino de inglês. Aqui ele fala sobre o que se chama de “Global English”:

Ontem eu assisti novamente ao filme “Priscilla, a Rainha do Deserto”, que eu havia visto há muitos anos. O filme se passa na Austrália e o inglês australiano é bem difícil de entender se você não está acostumado. No início do filme é muito mais difícil, mas à medida que você vai assistindo, vai ficando menos difícil. Se você assistir a muitos filmes, vai começando a entender mais.

Na minha última viagem para a Inglaterra, falei com uma grande quantidade de estrangeiros que moram lá. Falei inglês com alemães, árabes, indianos, italianos, poloneses, belgas e muitos outros. Todos falavam inglês com sotaques diferentes. Alguns falavam inglês melhor do que outros. E a gente precisa entender mesmo quem fala inglês errado.

A mesma coisa acontece com você. Mesmo que você fale inglês americano, quando você chegar na Inglaterra ou quando falar com um inglês aqui no Brasil não precisa se preocupar em querer falar igual a eles. Eles vão entender você do jeito que você falar. Mesmo que você cometa alguns erros.

O vídeo abaixo é uma gozação, mostrando como americanos não entendem os ingleses. Assista. É muito engraçado e ilustra bem o que estou falando:

Tente falar inglês bem, do jeito que você aprendeu. E tente entender muitas variedades diferentes. É a melhor forma de se comunicar bem em inglês.

Até mais,

Carlos

Dica 418 – Assista ao seriado “The Human Planet”

janeiro 9, 2012

Como eu já disse algumas vezes, saber inglês não é o nosso objetivo para aprender inglês. Nós aprendemos inglês para usá-lo para alguma coisa. O inglês é apenas um instrumento. Precisamos saber inglês para nos comunicarmos em uma viagem, para trabalhar, para lermos alguma coisa e assim por diante.

Aprender coisas novas e conhecer mais sobre o nosso mundo é sempre bom. Eu acabei de assistir aos oito episódios da maravilhosa série “The Human Planet” produzida pela BBC inglesa. A série é um documentário que mostra como as pessoas vivem – e sobrevivem – em diversos ambientes do nosso planeta: no mar, nas montanhas, nos desertos, nas florestas, etc. Cada episódio é sobre um desses ambientes. É muito bacana, pois se aprende muito sobre como as pessoas vivem em lugares onde nem podemos imaginar. E as imagens são simplesmente fantásticas.

A BBC levou três anos para filmar essa série que vale a pena ser vista. E assistir em inglês nos permite, além de tudo, treinar o nosso inglês e aprender muito vocabulário que não aprendemos na escola. Você vai aprender vocabulário relativo a animais, plantas, regiões do planeta, clima e muito mais.

Aqui estão algumas cenas do programa encontradas no youtube, só para dar um gostinho:

Trailer do programa (sem palavras, só imagens):

Caçadores que esperam os leões caçarem e depois roubam a comida deles:

Caçadores de cobras, que depois as comem:

Há muitas outras cenas disponíveis no youtube, e você também encontra os oito episódios completos para baixar na internet. Assista em inglês, sem legendas. Você vai se divertir, aprender muito e melhorar o seu inglês.

Eu assisti aos episódios com a minha família e os nossos primos na praia, e o programa rendeu muitas horas de conversas depois. As conversas sobre ele foram tão interessantes quanto o programa.

Se puder, assista.

Até a próxima,

Carlos

Dica 417 – Ideias para decorar vocabulário

janeiro 6, 2012

Muita gente reclama quando se fala em decorar alguma coisa. Parece até que decorar é um crime e que não faz parte do aprendizado. É verdade que aprender não é só decorar. Mas se você pensar bem tem muita coisa que a gente aprende decorando. Quando você é criança, você decora a tabuada. Ela é a base para muitas contas que você vai fazer durante a vida toda. Sem você decorar a tabuada, não dá para aprender matemática.

Depois que você cresce você decora o número da sua conta no banco, a senha do banco e de sites que você usa na internet. Você decora o número do seu RG, CPF, telefone dos amigos e muitas coisas mais.

Quando você conhece alguém, precisa decorar o nome da pessoa. Muitas vezes a gente é apresentado a alguém e logo em seguida esquece o nome da pessoa, não é verdade? Aliás, foi justamente este o tópico de um artigo da revista Super Interessante que a minha prima Laura leu e depois me disse: “Eu li um artigo e logo pensei no seu blog”.  

O artigo fala sobre técnicas para se decorar nomes e rostos e como o próprio título da revista diz, é super interessante.

Muitas das ideias citadas no artigo podem ser aplicadas para se aprender vocabulário em inglês. Uma das coisas que diferencia os falantes mais adiantados da língua é justamente o vocabulário mais amplo. É muito importante expandirmos o nosso vocabulário. No entanto, durante o nosso estudo de inglês aprendemos muitas palavras e depois esquecemos. O que podemos fazer para nos lembrar delas?

Uma das ideias citadas no artigo é estar a fim de aprender. Parece incrível, mas muitas vezes vamos estudar uma coisa e estudamos apenas por obrigação. Ter vontade de aprender ajuda muito. Quando você estiver tentando decorar uma palavra nova, tenha interesse em aprender de verdade aquela palavra. Não adianta ficar pensando: “Ai que saco, tenho que aprender essas palavras!”. O interesse genuíno vai fazer você se lembrar mais facilmente delas. Lembre-se de que ter um vocabulário maior é melhor para você.

Decorar a palavra sozinha não adianta. Você precisa também entender o significado dela e saber como se usa. Por isso procure diversas definições da palavra em vários dicionários – em inglês, sempre – e também as decore. Os bons dicionários sempre apresentam exemplos da palavra usada dentro de um contexto. Copie vários exemplos e também os decore. Ver a palavra num contexto ajuda a entendê-la e a memorizá-la mais facilmente. Repita os exemplos para você mesmo muitas vezes até decorá-los. Faça isso vários dias seguidos para não esquecer. Segundo a matéria da revista Super Interessante, A repetição facilita o trabalho do cérebro”.

Faça associações da palavra com pessoas e situações da sua vida. Se você conseguir associar aquela palavra com algo que aconteceu com você, cada vez que ouvir a palavra vai se lembrar da história e uma coisa reforça a outra. Descrever características de pessoas que você conhece usando certas palavras também ajuda a se lembrar delas com mais facilidade.

Tente usar a palavra muitas vezes em contextos que você inventa. Escreva frases com ela, escreva histórias, fale frases usando a palavra. Quanto mais você a usar, mais vai se lembrar também. Um dos fatores que fazem a gente esquecer é justamente não usar as palavras que aprendemos. Usando muito, você tem mais chances de se lembrar.

Brincar com as palavras também ajuda a memorizar mais. Brincar com os sons, tentar achar rimas com outras palavras são algumas das ideias para ajudar a decorar melhor. Quando você se diverte, a retenção é maior.

Uma ideia de que eu já falei anteriormente e de que a matéria da revista também fala é na hora de dormir repetir para si mesmo as palavras que aprendeu naquele dia. Tentar recuperar o que você aprendeu faz fortalecer a memória e as coisas se transformam em memória de longa duração. E aí será mais difícil você se esquecer.

Não existe apenas um segredo para memorizar. Esses são apenas alguns, mas que podem ajudar você bastante.

Até a próxima,

Carlos


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