Dica 561 – Um exemplo para não seguir

Eu sempre gosto de dar exemplos de maneiras diferentes de estudar e aprender. Digo sempre que não existe uma maneira única de aprender e que o importante é tentar de vários modos diferentes até descobrir o que funciona melhor para você. Por isso costumo compartilhar as histórias de sucesso de outras pessoas.

Hoje vou contar uma história ao contrário. É  um exemplo a não seguir e que muita gente faz. Será que você também é assim?

Há alguns anos tive um aluno – não vou identificá-lo por motivos óbvios – num curso intermediário. Este aluno trabalhava para uma empresa americana, onde falar inglês bem era muito importante. Muitas vezes viajava para o exterior a trabalho e tinha um bom contato com o inglês. O seu nível de inglês era bom o suficiente para se comunicar e entender, mas ele queria melhorar. Por isso estava num curso intermediário.

Você já percebeu quantas pessoas atingem um certo nível de inglês e dali não vão mais para frente? O que acontece é que eles acham que já sabem inglês e que não precisam se esforçar mais. Isso é muitíssimo comum.

Este aluno ia às aulas e participava delas, mas faltava bastante, e raramente estudava em casa. Não fazia a lição de casa e não procurava tirar as dúvidas na sala de aula. Durante o semestre em que fez o curso, o seu inglês não melhorou muito. Ele não chegou a aprender as estruturas novas. O seu inglês continuava igual ao que estava quando o curso começou.

O curso tinha uma parte importante dedicada a aprender a escrever em inglês melhor. Os alunos faziam a mesma redação várias vezes, e eu ia dando feedback de como eles poderiam melhorar a maneira de escrever. Os alunos que faziam todas as etapas do processo, acabavam escrevendo muito melhor. Esse aluno no entanto, não fez todas as etapas. Entregou apenas uma redação no final do curso, sem eu ter a chance de ajudá-lo a melhorar. Ou seja, seu resultado foi muito abaixo do esperado.

Durante o curso, várias vezes eu tentei conversar com ele, sugerir que estudasse mais e dar dicas de que conteúdos ele deveria estudar e tentar praticar mais. Mas, por motivos vários, este aluno não fez isso.

Quando acabou o semestre, o aluno acabou sendo reprovado no curso. Isso não significa que esse aluno não saiba nada de inglês. Isso significa que esse aluno não atingiu o nível proposto pelo curso. Embora o curso fosse intermediário, o inglês desse aluno não estava no nível intermediário. Você já pode adivinhar a reação do aluno. Ficou bravo comigo, disse que a avaliação não era justa e que ele merecia passar. Eu, então, apontei as suas deficiências – como já tinha feito durante o curso. Nesse momento, ele me saiu com este comentário:

“Se o meu inglês fosse tão ruim quanto você diz, eu não estaria trabalhando numa empresa americana!”

Vejam, eu nunca disse que o inglês dele era ruim. O que eu disse é que o inglês dele não havia progredido até chegar ao nível almejado pelo curso. Ele continuava com um inglês simples. E não admitia que precisava melhorar.

Eu já disse inúmeras vezes que para se aprender o mais importante é a atitude em relação ao aprendizado. Se você não se esforçar e não se dedicar, nada vai acontecer. Por que então você faz um curso intermediário se no fundo você acredita que aquele inglês básico que você tem já é o suficiente para você se virar?

O mais interessante é que, anos depois, esse aluno me adicionou como amigo no facebook. E através do facebook eu acabo acompanhando as suas viagens pelo mundo. Sempre que ele viaja, ele publica fotos e escreve sobre elas em inglês. E o seu inglês continua tendo uma série de erros, alguns até bem básicos. Daí podemos ver que, passados vários anos, o seu inglês ainda não melhorou e ele ainda continua fazendo os mesmos erros que fazia.

Errar não é um pecado. Todo mundo erra. No entanto, é importante tentarmos aprender com os nossos erros. E tentarmos corrigi-los. Principalmente se o seu objetivo é falar inglês melhor. Quando um professor corrige um aluno, ele não o está criticando. Ele está mostrando o que está errado para que o aluno possa melhorar.

Eu escrevi num dos primeiros posts do blog que você pode escolher o inglês que você quer falar. Se você quer ter um inglês bom apenas o suficiente para se virar, tudo bem, é uma escolha sua. Mas se você escolher ter um inglês melhor, o que você vai fazer por isso?

Nesse aspecto, como sempre, tudo começa pela sua atitude.

Até mais,

Carlos

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2 Respostas to “Dica 561 – Um exemplo para não seguir”

  1. tatiani loro Says:

    Pois é… Eu já sou uma aluna chata, que pergunta até entender, e sempre acho que meu inglês continua ruim…rs

    • carlosgontow Says:

      Oi Tati,
      Isso não é ser chata. Isso é ter vontade de aprender de verdade. No entanto, não fique pensando que o seu inglês é ruim. Olhe pelo lado positivo. O seu inglês é bom, mas ainda há muitas coisas para você aprender e melhorar. Pense em tudo o que você não sabia e que hoje já sabe.
      Ter vontade de aprender mais e se esforçar para isso é uma característica fundamental para aprender bem. E você sempre foi muito esforçada, como eu me lembro muito bem.
      Obrigado por escrever e compartilhar tantas vezes,
      Carlos

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