Archive for dezembro \27\UTC 2017

Dica 631 – A pressa em aprender

dezembro 27, 2017

Lembram daquele ditado que diz, “A pressa é inimiga da perfeição”? Pode parecer clichê, mas é verdade.

Vivemos num mundo de pressa. Tudo tem que ser feito rapidamente. Queremos tudo na hora. Outro dia, eu estava vendo a reprise de uma novela antiga no canal Viva, e o personagem ia telefonar para alguém e discava o número inteiro, girando um número de cada vez, esperando o disco voltar para o lugar (Alguém sabe do que estou falando?) e aí o telefone estava ocupado. Sabem o que ele fez? Discou tudo de novo! E o espectador ali assistindo. Quem teria paciência de assistir a uma cena dessas hoje? E quem teria paciência de discar um número assim? Telefonamos para alguém com apenas um toque no botão e se a ligação não se completa imediatamente ficamos irritados. Tudo tem que ser de rápido.

As pessoas que vão se matricular num curso de inglês perguntam, “Em quanto tempo eu vou acabar o curso?” e não “Quantas horas eu devo me dedicar para aprender direito?” Mesmo as escolas dizem para o aluno, “Você terminará o curso em x semestres,” quando deveriam dizer, “Você poderá terminar o curso em x semestres, mas também vai ter que estudar e praticar muito por conta própria. E a escola não vai ensinar a você tudo o que você precisa saber. Muita coisa você aprenderá sozinho.” Mas as escolas não querem assustar os alunos e omitem a importância da parte que o aluno tem no processo. Parece que se matricular na escola já garante que o aluno vai aprender. E em quanto menos tempo, melhor.

Hoje em dia eu só dou aula particular e quando os alunos me perguntam quanto tempo levarão para ser fluentes, eu sempre digo, “Vai depender de você.” Se você estudar e mais do que isso, praticar o inglês fora da aula (falando, lendo, assistindo a filmes, cantando, etc.), vai aprender mais e melhor. Eu vou mostrando o caminho, mas você é que vai percorrê-lo.”

Recentemente uma pessoa me procurou, dizendo que vai viajar em abril, a trabalho,  e precisa saber inglês, e me perguntou se dava tempo de aprender. Respondi que primeiro precisava fazer uma avaliação de quanto ela já sabia e fazermos um plano de estudos a partir daí, vendo quantas aulas por semana ela teria e quanto tempo teria para praticar e estudar fora da aula. A pessoa me respondeu, “Mas eu não tenho tempo!” Minha resposta: “Eu dou aula de inglês, mas não faço mágica.”

Tudo leva tempo para aprender. Não existe receita secreta. Quanto tempo vai levar, vai depender de você. Claro que eu compreendo que se você trabalha o dia todo, tem família, amigos e ainda estuda inglês, vai ter menos tempo para se dedicar. Mas quanto mais você se dedicar, mais vai aprender. Pode ficar fluente em mais ou menos tempo. Por isso, é uma jornada muito pessoal. E que vai levar um certo tempo.

Eu, por exemplo, já estudo inglês há 47 anos. Comecei aos 10. E sempre tenho mais o que aprender. Sim, eu já sou fluente há muito tempo – não precisei de todo esse tempo para ficar fluente. Mas continuo aprendendo, sempre. Sempre há coisas novas para se aprender, e sempre há o que melhorar e para isso, também preciso de tempo.

Não tenha pressa para aprender. Aproveite o seu tempo para se desenvolver e praticar. Se estiver com dificuldade, pratique mais, até que a dificuldade diminua. Aproveite bem o seu tempo.

O tempo é seu amigo. Ele vai ajudar você a aprender mais.

Até mais,

Carlos

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Dica 630 – A importância do foco

dezembro 26, 2017

Um dos melhores livros que eu li recentemente foi “Foco” de Daniel Goleman, uma leitura que eu recomendo a todos. Esta à venda em todas as livrarias. Eu li em inglês (“Focus – The Hidden Driver of Excellence”), mas é fácil encontrá-lo em português também.

Hoje em dia, sente-se que as pessoas estão aprendendo cada vez menos e uma das causas é a falta de foco. Vivemos num mundo cheio de estímulos e estamos ligados a muitas coisas ao mesmo tempo e o tempo todo. As pessoas não desligam o celular nem para dormir. Eu conheço gente que reclama que os amigos mandam WhatsApp no meio da noite. Bem, alguns dos meus amigos também mandam, mas eu não escuto, porque desligo o volume do celular quando vou dormir. Mas por que será tão difícil se desligar?

Segundo Daniel Goleman, a atenção funciona como um músculo – se for mal usada, enfraquece, mas se for bem usada cresce. Num mundo cheio de distrações, nós temos que aprender a melhorar o nosso foco, pois só assim vamos progredir. O foco é que fará a grande diferença no futuro.

Não quero estragar a leitura do livro, mas um dos exemplos que ele dá é o de um jogador de futebol. Por que na hora do jogo, quando a bola chega para ele, há um monte de jogadores em volta e ele parece não pensar e sabe, instintivamente o que fazer? A resposta é que quando ele estava treinando, fez um trabalho detalhado e focado tantas vezes, que aquilo se tornou um instinto. E isso acontece em tudo. O instinto não nasce. Ele se desenvolve.

Se quando você estiver estudando inglês conseguir se concentrar, prestar atenção e se focar no que está fazendo, vai aprender melhor, para na hora do aperto as palavras e as estruturas simplesmente “aparecerem” na sua cabeça. Não é mágica – é o resultado do esforço e do foco usado na hora de aprender.

Daniel Goleman desmistifica a capacidade das pessoas de multitask, ou seja de fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Ele diz que ninguém consegue se focar em várias coisas simultaneamente. O que acontece é que a gente se foca em algo rapidamente, perde o foco e se foca eu outra coisa, perde o foco e se foca em uma outra coisa. A cada vez que você muda de foco, você perde o foco no que estava fazendo antes, e demora um tempo a se focar na próxima atividade. As pessoas fazem isso tão rapidamente, que são momentos curtíssimos de foco que tem em cada coisa, ou seja, na verdade não estão focando em nada. E embora a capacidade de multitask seja valorizada hoje em dia, ela na verdade é pior do que fazer uma coisa de cada vez, com atenção a cada uma delas.

 

Não é fácil se concentrar, num mundo cheio de estímulos. Mas por que a pessoa precisa consultar a timeline do facebook no meio de um filme no cinema? Por que não focar no filme? Por que estudar e checar o e-mail ao mesmo tempo? Por que estudar, ouvir música, responder o WhatsApp e assistir seriado ao mesmo tempo? Pode até fazer tudo ao mesmo tempo, mas não fará nada bem feito.

Quando eu comecei a dirigir, eu pedia para todo mundo que andava comigo no carro que ficasse em silêncio. Eu precisa prestar atenção, me concentrar nos movimentos dos pedais, da mudança de marchas, olhar no espelho e dirigir. Depois de muito tempo dirigindo absolutamente focado (e como eu suava nessas horas!) a coisa ficou automática e hoje consigo dirigir e conversar (se bem que se a conversa está boa, eu tiro o pé do acelerador e vou mais devagar…).

Leiam o livro! (Será que ainda tem gente que consegue ler um livro e se focar só nele, sem ficar olhando no celular, ouvindo música ou fazendo outras coisas junto?) E façam o esforço de se focar na hora do aprendizado. Os resultados serão bem melhores, com certeza!

Até a próxima,

 

Dica 629 – A dor e o prazer 2 (A missão)

dezembro 21, 2017

É tão mais fácil dar conselhos para os outros do que resolver os seus próprios problemas! Acho que é por isso que eu gosto tanto de ser professor…

Eu ando com uma dor na coluna há algum tempo, e enquanto espero o resultado de uns exames, voltei a fazer aulas de pilates na academia do clube. Hoje fui à minha terceira aula, do que eu costumo chamar “como ser artista de circo”. Você precisa se equilibrar em cima de uma bola, ficar em posturas variadas em equilíbrio e o seu corpo inteiro doi. Hoje eu sentia tanta dor e tanta dificuldade que falei pra mim mesmo que chega, que ia desistir. Foi então que me lembrei que ontem publiquei uma dica intitulada “A dor e o prazer” onde dizia que depois da dor vem o prazer, e que eu devia tentar seguir meu próprio conselho. E assim o fiz. Continuei firme até o fim da aula, não conseguindo fazer tudo, mas tentando, e aguentando a dor. Sabem que no final me senti melhor?

Depois da aula ainda fui para a musculação e consegui fazer todos os exercícios sem sentir dor. E agora, passadas algumas horas, estou me sentindo bem e com menos dor do que tinha ontem, por exemplo.

Esse negócio de a dor e o prazer funciona mesmo! O sacrifício vale à pena no final. Lembre-se disso quando estiver estudando inglês. Não tenha medo de errar, nem de repetir alguma coisa muitas e muitas vezes até conseguir acertar. Quando você estiver falando inglês, vai se sentir tão bem de conseguir se comunicar em outra língua, que nem vai se lembrar dos momentos de trabalho duro que passou até aprender.

Esforce-se ao máximo. Sempre vale à pena!

Até a próxima,

Dica 628 – A dor e o prazer

dezembro 20, 2017

Oi pessoal!

Depois de um longo tempo sem escrever, estou de volta! Já foram 627 dicas e mais o livro “101 Dicas Para Você Aprender Inglês Com Sucesso”, e às vezes parece que já não tenho muito o que dizer. Por isso peço que me mandem perguntas. Assim fica mais fácil ter ideias para novas dicas. Quem sabe a sua dúvida me sirva de inspiração para escrever?

No último dia 15 de dezembro, uma coluna na Folha de S. Paulo intitulada “A Dor e o Prazer” chamou a minha atenção, pois a autora Cláudia Costin fala sobre um assunto que eu vivo repetindo – o aprendizado não é só diversão. A dor, o sofrimento, e até momentos de tédio fazem parte do aprendizado e ajudam que ele aconteça.

Segundo Cláudia Costin, “a aprendizagem ao longo da vida nem sempre será um jogo” e “praticar habilidades ainda não adquiridas demandará esforço e disciplina, que eventualmente colidirão com outros desejos do estudante, mas que no final, ao superar-se a dificuldade encontrada, poderão premiá-lo com o intenso prazer da superação.”

Isso é uma coisa que eu vivo dizendo aos meus alunos e pessoas que assistem aos meus cursos e palestras: o prazer aparece no final do processo. Não estou dizendo que estudar inglês deva ser uma coisa chata. Eu – e a grande maioria dos professores – me esforço para tornar minhas aulas dinâmicas e divertidas, mas algumas etapas do processo são chatas, sim, e você precisa passar por elas. Decorar os verbos no passado pode ser uma atividade entediante, mas sem saber os verbos de cor você não consegue contar histórias no passado, usar a voz passiva ou uma série de outras coisas. Isso só para dar um exemplo.

Há cerca de dois anos, me inscrevi para  dar uma palestra num congresso de professores de inglês, e dei a ela o título que seria algo como “Está na hora de trazer a chatice de volta para a sala de aula”. Minha palestra foi recusada pela organização do evento. Devem ter achado o tema muito polêmico. Eu não estava defendendo a ideia de que a aula ou o estudo devam ser chatos, mas sim de que não devemos ter medo de fazer algumas atividades chatas, se elas nos levarão ao progresso. Muitas vezes os alunos me dizem “Essa atividade é chata!” e eu respondo “Sim, mas quando você conseguir falar inglês corretamente vai achar divertido.”

Aqui entre nós, isso não vale apenas para aprender inglês, mas para tudo, como eu também falei no meu livro “Você Consegue Aprender o Que Quiser”. Ir para uma academia e ficar levantando peso não é nada divertido (basta olhar a cara das pessoas enquanto estão fazendo isso), mas ter um corpo em forma é muito bom (basta olhar a cara das pessoas se olhando no espelho depois da musculação, ou tirando selfies na academia). Para tocar violão, o aprendiz passa um tempão aprendendo a tocar notinhas, antes de poder tocar uma música inteira. Nas minhas aulas de canto, grande parte do tempo é gasto com solfejos, notas, exercícios de respiração. A hora de cantar (que é divertida) é no final.

Estamos hoje numa era onde as pessoas querem a satisfação instantânea e temos cada vez menos paciência de treinar, repetir, enfim, de nos esforçamos para chegar a um resultado. E esse é um dos motivos pelos quais as pessoas estão aprendendo menos.

Pense em alguma coisa que você já fez, que era difícil no início, mas que com dedicação e superação você conseguiu. Foi só prazer, ou houve momentos de dificuldade e dor? Agora pense no resultado. Foi bom? Valeu à pena? Então, isso vale para tudo e no nosso caso, para aprender inglês.

Mãos à obra, não tenha medo de sofrer um pouco, pois você chega lá!

Até mais,