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Dica 631 – A pressa em aprender

dezembro 27, 2017

Lembram daquele ditado que diz, “A pressa é inimiga da perfeição”? Pode parecer clichê, mas é verdade.

Vivemos num mundo de pressa. Tudo tem que ser feito rapidamente. Queremos tudo na hora. Outro dia, eu estava vendo a reprise de uma novela antiga no canal Viva, e o personagem ia telefonar para alguém e discava o número inteiro, girando um número de cada vez, esperando o disco voltar para o lugar (Alguém sabe do que estou falando?) e aí o telefone estava ocupado. Sabem o que ele fez? Discou tudo de novo! E o espectador ali assistindo. Quem teria paciência de assistir a uma cena dessas hoje? E quem teria paciência de discar um número assim? Telefonamos para alguém com apenas um toque no botão e se a ligação não se completa imediatamente ficamos irritados. Tudo tem que ser de rápido.

As pessoas que vão se matricular num curso de inglês perguntam, “Em quanto tempo eu vou acabar o curso?” e não “Quantas horas eu devo me dedicar para aprender direito?” Mesmo as escolas dizem para o aluno, “Você terminará o curso em x semestres,” quando deveriam dizer, “Você poderá terminar o curso em x semestres, mas também vai ter que estudar e praticar muito por conta própria. E a escola não vai ensinar a você tudo o que você precisa saber. Muita coisa você aprenderá sozinho.” Mas as escolas não querem assustar os alunos e omitem a importância da parte que o aluno tem no processo. Parece que se matricular na escola já garante que o aluno vai aprender. E em quanto menos tempo, melhor.

Hoje em dia eu só dou aula particular e quando os alunos me perguntam quanto tempo levarão para ser fluentes, eu sempre digo, “Vai depender de você.” Se você estudar e mais do que isso, praticar o inglês fora da aula (falando, lendo, assistindo a filmes, cantando, etc.), vai aprender mais e melhor. Eu vou mostrando o caminho, mas você é que vai percorrê-lo.”

Recentemente uma pessoa me procurou, dizendo que vai viajar em abril, a trabalho,  e precisa saber inglês, e me perguntou se dava tempo de aprender. Respondi que primeiro precisava fazer uma avaliação de quanto ela já sabia e fazermos um plano de estudos a partir daí, vendo quantas aulas por semana ela teria e quanto tempo teria para praticar e estudar fora da aula. A pessoa me respondeu, “Mas eu não tenho tempo!” Minha resposta: “Eu dou aula de inglês, mas não faço mágica.”

Tudo leva tempo para aprender. Não existe receita secreta. Quanto tempo vai levar, vai depender de você. Claro que eu compreendo que se você trabalha o dia todo, tem família, amigos e ainda estuda inglês, vai ter menos tempo para se dedicar. Mas quanto mais você se dedicar, mais vai aprender. Pode ficar fluente em mais ou menos tempo. Por isso, é uma jornada muito pessoal. E que vai levar um certo tempo.

Eu, por exemplo, já estudo inglês há 47 anos. Comecei aos 10. E sempre tenho mais o que aprender. Sim, eu já sou fluente há muito tempo – não precisei de todo esse tempo para ficar fluente. Mas continuo aprendendo, sempre. Sempre há coisas novas para se aprender, e sempre há o que melhorar e para isso, também preciso de tempo.

Não tenha pressa para aprender. Aproveite o seu tempo para se desenvolver e praticar. Se estiver com dificuldade, pratique mais, até que a dificuldade diminua. Aproveite bem o seu tempo.

O tempo é seu amigo. Ele vai ajudar você a aprender mais.

Até mais,

Carlos

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Dica 610 – Cante “Red Solo Cup” e aprenda a falar inglês melhor

fevereiro 19, 2015

Eu já falei diversas vezes que músicas ajudam muito a aprender inglês. Eu até já publiquei o livro “Aprenda Inglês Cantando e Aprenda a Cantar em Inglês” com dicas de como aprender inglês com música.

Quando você canta em inglês, você aprende a juntar as palavras, coisa que às vezes é difícil quando você está falando. Na música você precisa seguir o ritmo e cantar sem ficar parando entre uma palavra e outra. Além de ajudar na fluência, cantar faz você repetir muitas e muitas vezes as mesmas frases. Essas frases vão ficando na sua cabeça e vão formando o seu repertório linguístico. Um dia, sem perceber, você usa uma dessas frases numa conversa. É muito legal quando isso acontece!

Hoje eu estava correndo na esteira na academia e, como sempre, ouvindo músicas e cantando junto. Foi quando me dei conta que a música “Red Solo Cup”, que foi cantada no oitavo episódio da terceira temporada de “Glee”, é muito mais falada do que cantada. Cantar (ou no caso, falar) essa música, além de ser divertido – afinal, é uma música sobre um copinho descartável – pode ajudar muito o seu inglês. Experimente!

Há muitas músicas que tem partes faladas no meio e elas podem ajudar bastante a desenvolver o seu inglês. Procure outras de que você goste, pratique e divirta-se!

Não é fácil decorar uma música inteira. Às vezes pode levar vários dias. Hoje, enquanto eu corri por cerca de 40 minutos na esteira, eu fiquei repetindo sempre a mesma música, e ainda não consigo cantar inteirinha. É um exercício de paciência e determinação, mas quando você consegue cantar a música inteira, que alegria!

Só como curiosidade, quase todas as músicas de “Glee” são regravações de outras músicas. Aqui está o vídeo da música original com Toby Keith para você conhecer e cantar junto:

Até mais,

Carlos

Dica 609 – Pare de querer se divertir!

fevereiro 12, 2015

Hoje em dia eu sinto que as pessoas só querem saber de se divertir. Ninguém pode ter um momento chato na vida. Tudo tem que ser agradável e divertido do começo ao fim.

A aula de inglês tem que ser como um circo. O aluno precisa estar dando risada e se sentindo feliz o tempo inteiro. Ai do professor que der uma atividade que os alunos achem chata… Está fadado a ouvir reclamações por todos os lados.

Eu não sou contra a diversão. Eu também gosto que os meus alunos se divirtam… um pouco. Mas para se aprender alguma coisa, tem também que se passar por uma parte chata. Nada é apenas diversão. Uma aula minha tem muita coisa que não é só diversão. Afinal, para o aluno aprender, precisa se esforçar um pouco também.

Vamos esquecer um pouco da aula de inglês. Vamos pensar em outras coisas. Uma academia de ginástica, por exemplo. Você vê o pessoal levantando peso, empurrando máquinas pesadas com as pernas, fazendo abdominais, etc, e ninguém está sorrrindo. A maioria faz cara de sofrimento enquanto faz esforço. Se você parar e ficar observando é até engraçado ver as caretas que fazem. Quando acabam de fazer o exercício, porém, muitos vão até o espelho e ficam observando os músculos se definindo, e é aí que eles sorriem. É aí que o momento de prazer aparece – ao ver o resultado do esforço. Tem até gente que passa mais tempo se olhando no espelho do que fazendo os exercícios…

Uma bailarina que ensaia horas e horas por dia sente dores horríveis no corpo todo. Os dedos do pé ficam destruídos. Ela sofre durante os ensaios. Mas ao se apresentar no palco, na frente de uma platéia, é uma alegria só… no final, quando recebe os aplausos.

Um escritor sofre para escrever o seu livro. É claro que ele tem uma ideia na cabeça, mas muitas vezes fica horas e horas sentado na frente do computador e não sai nada. Ele se desespera, acha que perdeu a capacidade de escrever, escreve muita coisa e depois apaga, tem vontade de jogar tudo para o ar… Mas depois de o livro pronto e publicado, ele fica feliz com o resultado.

Um cozinheiro precisa descascar batatas, picar cebolas, lavar as verduras, e tudo isso é muito chato. Ele fica cheirando mal, os olhos ardem, fica horas em pé na cozinha, mas quando serve um prato e as pessoas elogiam a sua comida… que prazer ele sente! Tudo vale a pena.

Ensaiar uma peça de teatro dá um trabalho enorme. Os atores tem que passar um tempão decorando o seu texto e isso é chato às vezes. Ficar ensaiando e repetindo a cena centenas de vezes – por mais que se goste do que faz – é cansativo. Isso sem falar em ter que aguentar um diretor exigente que às vezes fica bravo, grita e reclama. Eu já fui diretor de teatro e sempre dizia aos atores no final da cena: “Ficou bom, mas pode ser melhor. Vamos tentar mais uma vez.” Mas no final de tudo, apresentar a peça e receber os aplausos da platéia, ou ouvir o riso, o choro e todas as reações do público é maravilhoso. Todo o esforço é compensado.

Aprender inglês também é assim, gente! Tem que esforçar, passar por momentos difíceis, sofrer um pouco, para chegar ao resultado final.  Quando você aprende uma estrutura nova, é difícil conseguir falar uma frase completa corretamente e numa velocidade natural. A gente fala devagar, procurando as palavras e pensando muito no que vai dizer. Mas não pode parar aí. Você tem que repetir a frase dezenas de vezes até conseguir falar a frase de uma maneira natural. Eu costumo dizer para os meus alunos: “OK, agora repita muitas vezes até conseguir falar como uma pessoa normal!”

Não dá tempo de o aluno repetir a mesma frase dezenas de vezes numa sala de aula. E além disso, cada pessoa é diferente. Um aluno pode conseguir depois de vinte repetições e outro pode precisar de trinta. Por isso esse trabalho deve ser feito por conta própria, em casa.

Tem aluno que reclama: “Mas é muito chato ficar repetindo muitas vezes a mesma frase!” É mesmo, mas no final de muitas e muitas repetições, quando você conseguir falar aquela frase corretamente no meio de uma conversa, aquilo será uma alegria. O momento de alegria e prazer virá depois do esforço feito.

Até aprender a cantar uma música dá trabalho – se você quer aprendê-la corretamente. Você precisa repetir muitas e muitas vezes até cantar corretamente. Eu mesmo, que já sei inglês, levo dias para decorar uma música nova. Fico cantando horas e horas seguidas, no meu carro, na cozinha, no banheiro, etc. Eu me divirto com isso, mas dá trabalho.

Eu tive o meu maior momento de prazer com o inglês muitos anos depois de ter começado a aprender a língua. Eu já era professor de inglês, inclusive. Acho que já contei essa história aqui, mas conto outra vez, pois professor adora repetir as coisas. Isso aconteceu quando fui a Nova Iorque e assisti pela primeira vez ao musical “Les Miserables“. Eu saí do teatro completamente emocionado, olhei para o céu e agradeci a Deus por eu ter aprendido inglês, só para poder assistir e entender aquela peça. Todo o tempo que eu passei estudando e as horas de prática e exercícios, e os dias decorando os verbos no passado, tudo foi recompensado pelo prazer de assitir ao Les Miserables“. O prazer e a  diversão que senti naquele momento fez tudo valer a pena.

O prazer e a diversão não são sempre imediatos. Você precisa se esforçar muito e passar por alguns momentos chatos para poder chegar lá. Tem até aquela música da Britney Spears que diz que se você quer ter um corpo maravilhoso, se quer ter uma mansão com piscina, um carro maravilhoso na garagem… tem que trabalhar! É isso aí!

Por isso, pare de achar que tudo na aula de inglês tem que ser só diversão. Faça a parte chata com vontade. Esforce-se! Você vai aprender bastante, vai melhorar muito o seu inglês e depois vai se divertir muito com ele.

Até a proxima,

Carlos

 

Dica 590 – A Hora da Mentira e a Hora da Verdade

junho 4, 2014

Quase tudo o que acontece numa aula de inglês é de mentira.  É como um ensaio para uma peça de teatro. Você ensaia muito para o dia da estreia, quando vai fazer a peça de verdade. Mas se você não se dedicar nos ensaios e fizer como se fosse de verdade, na hora da verdade não vai sair bom.

A maioria das situações numa aula de inglês é de mentira. O professor manda você levantar e perguntar para três pessoas qual o dia do aniversário delas, mas você não tem o menor interesse em saber que dia é o aniversário daquelas pessoas. Tanto que, quando a aula acabar, você provavelmente nem vai se lembrar.

O professor manda vocês conversarem sobre globalização, e isso é um assunto que não te interessa nem um pouco. Você preferia conversar sobre qualquer outra coisa, mas tem que falar sobre aquilo, pois é parte da aula.

Você assiste a um vídeo que não te interessa e tem que discutir o que entendeu. Na sua vida real, você nunca iria assistir a um vídeo desses, mas faz parte da aula.

Você manda uma criança de 8 anos sair pela sala imaginando que está na rua perguntando “Onde fica o supermercado?” como se uma criança dessa idade fosse sair na rua sozinha procurando.

Calma aí, não estou dizendo que a aula de inglês não é interessante! É sim! A aula é divertida e tem até muita gente que se interessa pelos assuntos discutidos nela. O que eu estou dizendo é que as coisas são falsas, pois é uma situação falsa. Você está fazendo de conta que está falando sobre aqueles assuntos. No entanto, são essas coisas falsas que vão preparar você para a hora da verdade, quando você vai realmente querer usar o inglês.

N0 dia em que você estiver na sua casa e quiser assistir a um filme em inglês, você vai assistir a um filme que você mesmo escolheu. E vai entender um pouco de inglês graças aqueles momentos que teve na sala de aula assistindo ao que a escola achava que você devia assistir.

Quando você estiver conversando com alguém em inglês, você vai falar sobre o assunto que quiser, mas estará instrumentalizado pela prática que teve na sala de aula. A hora da mentira prepara você para a hora da verdade.

Agora pense bem nos momentos que você tem na sala de aula que poderiam ser de verdade, mas que você não usa. São aqueles momentos em que você perde a oportunidade de falar inglês de verdade. Por exemplo, quando você precisa de uma borracha emprestada e cochicha para o colega do lado em português. Pronto, você acabou de desperdiçar um ótimo momento para usar o seu inglês numa situação de verdade.

E no final da aula, quando todos os alunos já estão saindo, e você vai perguntar alguma coisa ao professor, e como a aula “já acabou” fala em português? Essa seria uma ótima hora da verdade, pois você está realmente perguntando uma coisa que quer saber e o professor vai dar uma resposta que interessa a você. Por que não se comunicar em inglês? Afinal, você está estudando inglês para se comunicar na hora da verdade. E a hora que você faz uma pergunta de verdade e ouve uma resposta de verdade, você prefere falar em português! Que desperdício! Passou a aula falando sobre assuntos que o professor mandou você falar, e quando tinha que falar mesmo, não usou o inglês!

E quando você chega na escola e fica esperando a aula começar e o professor chegar? Por que não aproveita esses momentos para conversar em inglês com os outros colegas? É um bom momento para uma conversa de verdade.

São esses momentos “de verdade” que dão a você a chance de ver se o inglês que você está aprendendo está servindo para alguma coisa! Você consegue se comunicar em inglês, ou na hora de se comunicar precisa  usar o português?

Eu me lembro da minha primeira viagem para os Estados Unidos, em 1990. Eu já era professor de inglês, já falava e ensinava inglês, mas nunca tinha saído do Brasil. Você sabe que em algumas aulas a gente ensina os alunos a pedirem informações sobre como chegar a um determinado lugar. Pois bem, eu e um grupo de amigos que estavam fazendo um curso de verão na Universidade da Flórida alugamos um carro para passear no feriado de 4 de julho. Eu dirigi uma boa parte da viagem. Num determinado momento, nós nos perdemos. Eu resolvi sair do carro e testar se a pergunta que eu ensinava funcionava mesmo. Encontrei um homem parado e lancei um “Can you tell me how to get to ___?” Quando o homem respondeu eu fiquei tão feliz! Vi que aquela expressão que eu já tinha ensinado tantas vezes funcionava de verdade. E fiquei comemorando! “It works! It works!”

Lembre-se de que tudo o que a gente quer na aula de inglês é conseguir usar o nosso inglês. Use-o e ele só vai melhorar!

Até mais,

Carlos

Dica 588 – Pare de mentir para si mesmo!

março 31, 2014

Você não está conseguindo aprender inglês? Qual é o problema? Não tem tempo suficiente? Trabalha demais? Perde muito tempo no trânsito? Seu chefe te dá trabalho demais e não sobra tempo para estudar inglês? Seu professor no colégio e na faculdade acha que você só tem a matéria dele para estudar e dá lição demais? Você chega em casa e está muito cansado? Não tem dinheiro para pagar um bom curso de inglês?

Mentiras que você conta para você mesmo! Se você quiser, você aprende inglês, sim! Aliás, como diz o título de um dos meus livros, “Você Consegue Aprender o que Quiser”.

Vejam esse arquivo de Fernanda Neute sobre as mentiras que contamos a nós mesmos. Reproduzi o texto abaixo, mas se você quiser pode clicar no link e ver o artigo original:

http://www.administradores.com.br/mobile/artigos/carreira/5-mentiras-que-devemos-parar-de-contar-a-nos-mesmos/76177/

 

5 mentiras que devemos parar de contar a nós mesmos

A grande verdade é que, sim, sempre temos escolha. O que acontece é que nem sempre estamos dispostos a lidar com as consequências e por isso criamos mecanismos de defesa para nos protegermos (por Fernanda Neute)

“Logo que comecei a trabalhar em agência de propaganda, eu via um certo glamour em estar sempre ocupada, abraçar mais de dez projetos ao mesmo tempo, passar horas em reuniões intermináveis e trabalhar até de madrugada. O que o tempo me mostrou é que, na verdade, eu tinha a necessidade de me sentir importante e competente e todas essas atividades me faziam sentir dessa forma. Quando você identifica sua necessidade primária, fica mais fácil entender o que você precisa mudar em vez de simplesmente aceitar que é assim que deve ser.

Quando percebi que para me sentir importante e competente eu só precisava fazer meu trabalho muito bem feito, eu passei a controlar o tempo das reuniões, a dizer não para projetos que não faziam sentido ou que eu não conseguiria fazer com a mesma qualidade por estar cuidando de outras coisas e, raramente, ficava até depois das oito e meia trabalhando.

Mas não é fácil reconhecer ou admitir qual é o problema e qual é a verdadeira necessidade por trás de alguns dos nossos comportamentos. Por isso, é inevitável começarmos a encontrar desculpas para justificarmos o motivo pelo qual nossa vida é do jeito que é.

Um filme que eu amo e relata isso muito bem é “O Diabo Veste Prada”. A frase preferida da personagem principal, a Andy, é: “Eu não tive escolha”. Ela diz sempre que tenta explicar para todo mundo o porquê de aceitar os absurdos vindos da chefe.

A grande verdade é que, sim, sempre temos escolha. O que acontece é que nem sempre estamos dispostos a lidar com as consequências e por isso criamos mecanismos de defesa para nos protegermos. Aqui vão algumas das mentiras que eu costumava contar a mim mesma até que decidi mudar:

1. Se eu tivesse mais tempo eu faria “isso”

Como “isso” entenda qualquer coisa que você não faça por falta de tempo. Pode ser um curso de línguas, exercícios físicos, sair mais com os amigos, ler um livro, fazer caridade, não importa. Falta de tempo (e o trânsito) virou a desculpa universal para justificar o fato de que não somos disciplinados quando o assunto é gerenciar as 24 horas do nosso dia. Uma coisa que eu aprendi é que quando você realmente quer fazer uma coisa, você arruma tempo, por mais ocupado que você seja.

A questão aqui é que, ou você quer muito uma coisa, ou você não quer tanto assim e o tempo não pode ser a desculpa por você não fazer.

Eu sempre quis ter um corpo sarado (#quemnunca). Toda vez que aparecia uma nova musa-com-o-corpo-mais-perfeito eu ficava me sentindo mal e pensando que eu devia me dedicar mais na academia. Mas sabe qual é a verdade? Eu gosto da ideia de ter um corpo sarado, mas eu nunca quis acordar às seis da manhã e ir à academia sete dias por semana, nem tomar shakes de whey no café da manhã, nem comer batata doce no almoço ou claras de ovos no jantar. E esse era o meu problema, mas eu sempre tentei me convencer de que eu não era sarada porque eu não tinha tempo.

Aí você pode me dizer: “Mas Fê, eu juro que eu não tenho tempo para nada, minha vida é trabalhar.”

Eu acredito em você, mesmo! Só que ser ocupadíssimo também é uma escolha. Nós investimos nosso tempo naquilo que é importante para nós, por isso, se você está trabalhando  oitenta horas por semana, é porque tem alguma coisa que você queira mais do que tudo e que vai ser resultado desse tempo investido no trabalho. E assim, você está deixando de fazer outras coisas que no fundo não devem ser tão importantes assim.

2. Se eu tivesse mais dinheiro eu poderia fazer “isso”

O dinheiro sempre foi a maior desculpa para tudo na minha vida. “Não faço exercícios porque não tenho dinheiro para academia. Não falo inglês porque não tenho dinheiro para pagar um professor particular. Não mudo da casa dos meus pais porque não tenho dinheiro para pagar aluguel”. Um monte de bobagem. É claro que muita gente realmente tem um orçamento apertado. Acredite, eu já fui essa pessoa um dia. Quando pagava a minha faculdade, eu almoçava marmita para poder vender o vale refeição e muitas vezes só o que tinha na minha carteira por semanas era o vale transporte.

E justamente por ter alguma experiência sobre o que era ter uma conta eternamente negativa que eu te digo que dinheiro não é desculpa para não fazermos as coisas.

Usamos a falta de dinheiro para nos convencermos de que nossa vida não é incrível porque vivemos numa sociedade injusta e desigual onde os ricos podem tudo e os pobres não podem nada. Mas eu vou te dizer uma coisa: quer fazer exercícios? Todos os parques são gratuitos. Quer estudar uma língua? Hoje é possível fazer isso de graça na internet através de sites como o Duolingo. Quer viajar? Existem sites como o Couchsurfing em que as pessoas deixam você dormir na casa delas sem ter de pagar nada por isso.

É claro que estes são alguns pequenos exemplos, mas são coisas das quais eu mais ouço as pessoas reclamando de que não podem fazer sem dinheiro. Além disso, quando prestamos mais atenção em como gastamos nosso dinheiro, fica mais fácil de fazer com que ele não desapareça.

3. Se “isso” acontecesse, minha vida seria perfeita

Aqui o “isso” pode ser comprar uma casa, arrumar um namorado, ter um filho, ser promovido no emprego. O nosso grande problema é que o “isso”, nesse caso, nunca será suficiente. É a lei da vida. O ser humano nunca está totalmente satisfeito com o que ele tem e está sempre querendo algo mais para ser feliz. Parece que é essa coisinha que falta que nos impede de ter uma vida completa.

O problema é que, quando estamos sempre olhando para o que está por vir, deixamos de aproveitar e agradecer pelo que temos hoje. Mas eu não vou te dar o conselho óbvio da autoajuda que é viva o presente e agradeça pelo que você tem hoje. Minha dica é: use essa necessidade que é inerente ao ser humano de sempre querer o que não tem como motivação, e não como a razão pela qual você não é feliz. Aprecie o desafio de correr atrás desse objetivo e deixe que isso te faça feliz e não que a falta “disso” te faça infeliz.

4. Eu mudaria “isso” na minha vida, se não fosse “aquilo”

Até pouco tempo atrás eu ainda morava com a minha mãe. Como ela morava na Zona Leste e eu trabalhava na Zona Sul, você que conhece São Paulo pode imaginar o inferno que era a minha vida no trânsito todos os dias. Depois que o meu pai morreu, eu passei a ajudar financeiramente em casa e conforme fui ficando mais velha, todas as vezes que alguém me perguntava porque raios eu ainda morava na Zona Leste minha primeira resposta era: “Eu adoraria mudar, mas eu ajudo a minha mãe e ela precisa de mim”. Na minha cabeça isso não era uma desculpa, era a verdade.

Quando eu finalmente decidi mudar e ir morar com o meu namorado, percebi que eu estava usando o fato de que eu ajudava a minha mãe financeiramente para mascarar o real motivo pelo qual eu nunca me mudei. No fundo, eu não sou uma pessoa que gosta de ficar sozinha. Eu gosto de chegar em casa e ter com quem conversar. Ao mesmo tempo, depois de uma certa idade não fazia tanto sentido para mim dividir apartamento com amigas. Além disso, se eu tivesse de pagar aluguel ou um financiamento imobiliário eu não teria feito nem metade das viagens que eu fiz e que só consegui pelo fato de morar com a minha mãe. Não podemos deixar que filhos, gato, cachorro, dívidas, emprego, mãe ou pai doente sejam desculpas para aliviar o fato de que não temos coragem para tomar algumas atitudes e lidar com as consequências que elas trarão para as nossas vidas.

5. Eu não vivo sem “isso”

Na maioria dos casos, sim, você vive. Parece uma bobagem, mas quando decidi que ia passar um tempo viajando algumas coisas ridículas começaram a me preocupar. Por exemplo, eu tenho alergia a lâmina de barbear, por isso sempre tive de fazer depilação. Como eu iria viver sem fazer depilação? Pois é, estou viva e não estou nem peluda, nem perebenta.

Se tem uma coisa que eu aprendi nesse pequeno período em que eu estou viajando é que para tudo existe um jeito e que nós somos completamente adaptáveis. Não existe nada com que você não vá se acostumar a viver sem, desde coisas até pessoas. Certamente podemos passar por um período de nostalgia ou saudade, mas depois de um tempo a vida se ajeita e de alguma forma compensa aquela falta.

O que nos faz ter a sensação de que “isso” é tão importante para a nossa vida ao ponto de não conseguirmos viver sem é que, muitas vezes, colocamos em coisas ou pessoas a responsabilidade da nossa felicidade.

A grande verdade é que nossa vida é feita de uma enorme lista de boas intenções que resultam algumas vezes em tentativas e muitas vezes erros. A boa notícia é que se você acordar amanhã, existe uma nova chance de tentar mais uma vez ;).”

Pois é, e você está mentindo para si mesmo? O que pode fazer a este respeito? Pense bem: aprender inglês depende só de você

Até mais,

Carlos

Dica 580 – Seja o seu próprio Papai Noel

dezembro 24, 2013

Hoje, véspera de Natal, muita gente está esperando que o Papai Noel traga o presente que pediu. E assim como o presente de Natal, muita gente fica sempre esperando que as coisas aconteçam na sua vida. Mas, na realidade,  muito pouca coisa na vida cai assim do céu. Se quisermos alguma coisa, temos que ir atrás dela.

Aprender inglês também é assim. Há pessoas que me dizem que um dia vão aprender inglês. Ficam esperando o dia de começar, ficam esperando o dia que vão ter tempo, ou o dia em que a oportunidade vai aparecer. Há outros que vão pulando de escola em escola esperando encontrar aquela que vai fazê-los aprender inglês – como se fosse por mágica, ou presente de Papai Noel.

Se você quer aprender, não espere que o Papai Noel traga tudo enrolado num pacote lindo. Seja o seu próprio Papai Noel. Faça o seu próprio presente! Vá atrás do que quer e se esforce por isso. Aprender é um processo longo, cansativo, algumas vezes chato, muitas vezes divertido, e que proporciona muitas alegrias e muito prazer. Há dificuldades no caminho – mas há dificuldade em tudo – e elas são todas superáveis, com esforço e dedicação. Depende de você, e você é capaz. Como diz o título do meu mais recente livro, “Você Consegue Aprender o Que Quiser”.

Quer aprender inglês? Mãos à obra! Não precisa esperar o dia ideal para começar. Não precisa esperar o dia em que vai ter tempo. Não precisa esperar para se matricular naquela escola que você quer. Comece já! Neste blog e no meu livro “101 Dicas Para Você Aprender Inglês com Sucesso” há muitas ideias e sugestões do que você pode fazer. Comece agora! Um passo de cada vez, e sempre em frente. Você chega lá.

Você não vai encontrar o seu inglês dentro de uma embalagem linda embaixo da árvore de Natal. O que você pode fazer já – hoje – pelo seu inglês?

Feliz Natal!

Até a próxima,

Carlos

Dica 575 – Aprenda matemática em inglês

novembro 4, 2013

Ninguém aprende  inglês porque quer saber inglês. Nós aprendemos inglês porque queremos usar o inglês para alguma coisa. O inglês não é uma finalidade, mas um meio para chegar a uma finalidade. Você pode querer saber inglês para poder se comunicar em caso de uma viagem. Você pode querer aprender inglês por motivos profissionais, porque tem clientes e negócios no exterior. Você pode querer saber inglês para poder entender filmes em inglês, e assim por diante.

Eu sou muito procurado por pessoas que querem prestar o exame de TOEFL, que é um exame para quem quer estudar no exterior. O objetivo do exame é ver se o candidato tem condições de ir estudar fora e entender uma aula em inglês. A pessoa que vai fazer um curso num outro país não está interessada na língua em si, mas em aprender o conteúdo do curso. A língua é o meio para se chegar lá.

Hoje em dia até em países onde o inglês não é a língua nativa, cursos são dados em inglês. O Rochinha, um ex-aluno e hoje querido amigo, está na Espanha fazendo um MBA onde as aulas são todas em inglês, só para citar um exemplo.

Usar o seu inglês para aprender coisas diferentes é importante. Isso vai mais além do que só aprender inglês. Por isso é sempre bom tentar aprender coisas novas, em inglês. Você pode aprender coisas novas e ainda treinar o seu inglês. De quebra vai aprender bastante vocabulário que não é ensinado numa aula de inglês.

O vídeo abaixo mostra uma aula de matemática em inglês. Nessa aula, o professor ensina a fazer a divisão em inglês. Se você nunca viu, vai se surpreender,. pois a divisão em inglês é montada de uma maneira bem diferente do que fazemos em português.

Interessante, não? Além de aprender como se faz a divisão em inglês – que pode servir apenas como curiosidade – você consegue aprender bastante vocabulário relativo a operações simples de matemática. Eu mesmo, já era fluente em inglês quando aprendi a falar coisas de matemática em inglês, pois isso não é ensinado nas escolas. E até hoje há coisas mais avançadas que eu ainda não sei, aliás, nem em português.

Se tiver curiosidade, procure mais vídeos como esse. Procure ler coisas diferentes. Use o seu inglês para aprender coisas novas. Vai ser bom para você e para o seu inglês!

Até a próxima,

Carlos

Dica 547 – Pratique Passive Voice assistindo a cenas de seriados

abril 27, 2013

Aqui está um vídeo que eu montei com cenas de programas de TV onde se usa Passive Voice. É uma boa chance de você assistir e praticar um pouquinho essa estrutura.

Eu não tenho muito tempo de ficar procurando cenas para usar como exemplo, e a maioria das cenas que eu encontro são coisas que eu noto quando estou assistindo a filmes e aos meus seriados favoritos. Eu vou anotando e montando uma coleção de cenas. Deve haver muitas outras cenas legais por aí, que eu não conheço porque não assisti. Se você descobrir alguma, pode me avisar que eu vou adorar!

Eu costumo dizer que é importante mantermos os nossos ouvidos sempre atentos e os nossos olhos sempre abertos. Se você prestar atenção às coisas que assiste, vai começar a notar muitas das estruturas e do vocabulário que você aprende quando está estudando inglês. E ver e ouvir essas coisas sendo ditas fora do contexto da sala de aula é muito importante para você ver como as coisas são usadas num contexto real.

Fique ligado no que você vê por aí. Isso vai ajudar você a estar sempre aprimorando o seu inglês.

Até a próxima,

Carlos

Dica 536 – Assista à entrega do Oscar em inglês

fevereiro 23, 2013

Amanhã, dia 24 de fevereiro, acontece a entrega do Oscar aos melhores filmes de 2012. O evento vai ser transmitido ao vivo pela TNT, com opção de som original – sem a horrível tradução simultânea. A transmissão começa às 20:30 h com a chegada dos astros no tapete vermelho. A cerimônia começa às 21:30 h.

Está aí uma ótima oportunidade para você ficar sabendo em primeira mão quais filmes foram os vencedores e ainda mais para praticar o seu inglês. Aproveite!

Eu já contei isso diversas vezes – todos os anos nessa época eu falo a mesma coisa – mas desde criança eu sempre gostei de assistir à entrega do Oscar. Sendo um apaixonado por cinema, eu raramente perdi a transmissão. Houve uma época em que eu tinha que ficar fazendo o maior esforço para conseguir ouvir o que as pessoas diziam por baixo da transmissão simultânea. Conseguia distinguir algumas palavras e ficava super feliz com isso. Mais tarde, dava para se ouvir o som ao vivo através do rádio. Eu ligava a imagem da TV e o som do rádio, que não era grande coisa, e era fora de sincronia com a imagem. Mas já era um avanço. E eu curtia cada momento.

Hoje em dia há a opção de escolher o som original, que além de tudo tem boa qualidade. O que mais a gente pode querer? Bom, eu queria um dia estar lá ao vivo assistindo à premiação. Não custa sonhar…

Esse ano eu consegui assistir a todos os filmes indicados, filmes com atores indicados, inclusive os candidatos a melhor filme estrangeiro, documentário e desenho animado. Assim vou me divertir torcendo pelos meus favoritos – eu tenho um em cada categoria.

Como eu costumo dizer, não estou assistindo ao Oscar para estudar inglês, mas estou usando o inglês que eu aprendi para fazer as coisas das quais eu gosto. E esse deve ser sempre o seu objetivo ao aprender inglês. Ninguém aprende inglês porque o inglês é legal. O objetivo é você usá-lo para fazer o que você gosta ou precisa. E quando você consegue, todo o esforço para aprender terá valido a pena.

Eu sei que eu passei muitas horas da minha vida estudando, fazendo exercícios de gramática, vocabulário e pronúncia, mas tudo isso serviu para eu saber o inglês que sei hoje. E tudo valeu a pena. Pense nisso, pois se eu consegui, você também consegue. Eu sou igualzinho a você e se cheguei até aqui, foi graças ao meu esforço e vontade de aprender.

Até a próxima e divirta-se com o Oscar,

Carlos

Dica 515 – Preocupe-se com o seu inglês (mas sem exageros)

novembro 20, 2012

Preocupar-se um pouco com o seu inglês é importante para o seu progresso. Muitas vezes eu tenho a impressão que aqueles alunos que se preocupam mais são os que mais aprendem.

Vejam o caso de um aluno meu. Ele é um ótimo aluno. Participa ativamente das aulas, tenta falar o máximo possível – sempre em inglês – e sempre se arrisca a dizer as coisas, mesmo quando não tem certeza. Ele estuda fora da sala de aula, faz sempre a lição de casa, e tenta usar o inglês que está aprendendo. Assiste a filmes, lê livros, ouve músicas, enfim, ele está realmente engajado no processo de aprender inglês. Mas mesmo assim, às vezes ele vem conversar comigo e diz que está preocupado pois não está aprendendo tanto quanto gostaria. Num dia desses ele teve que faltar a uma aula, e depois veio me dizer que estava preocupado, pois havia perdido uma aula e ia ficar defasado.

Um outro aluno meu é exatamente o contrário. Ele vem para a aula, mas quase não participa. Quando precisa falar, fala em português. Raramente faz as lições de casa e não estuda praticamente nada. Quando chega para mais uma aula, parece não se lembrar nada do que foi visto na aula anterior. Mas este aluno não parece nem um pouco preocupado com o seu aprendizado. Quando eu o chamo, e digo que precisa se esforçar um pouco mais, ele sempre me diz que não tem tempo, mas que antes da prova final vai fazer todos os exercícios que não fez durante o curso inteiro.

Comparando os dois casos, vemos que aquele que está preocupado está aprendendo muito mais do que o outro. A preocupação faz com que aquele aluno estude mais, se esforce mais. Mais do que isso, ele está sempre avaliando o seu progresso. Ele consegue sentir que está aprendendo. E consegue saber onde estão as suas dificuldades e onde precisa trabalhar mais.

Mas cuidadeo! A preocupação é boa, mas também não se pode exagerar. Se você se preocupa demais, acaba ficando tão tenso que não consegue aprender. No caso de um aluno bom, perder uma aula não é motivo para se preocupar tanto. Se você costuma estudar por conta própria fora da sala de aula, você consegue estudar o que perdeu e aquela aula não vai fazer tanta falta. Mais do que isso, nas aulas de inglês nós sempre voltamos ao mesmo assunto seguidas vezes. Não se espera que você vá aprender todo um conteúdo em uma única aula.

Se você está estudando inglês, mas não está nem um pouquinho preocupado com isso, preocupe-se! Talvez mudando de atitude consiga aprender muito mais. Aliás, o que eu sempre digo é que a atitude é uma das coisas mais importantes para você aprender qualquer coisa. Você precisa querer aprender, e ir atrás disso.

Boa sorte e até mais,

Carlos