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Dica 422 – Não basta traduzir as palavras para falar em inglês

fevereiro 1, 2012

Eu já comentei diversas vezes que na minha opinião não se deve aprender inglês traduzindo as palavras. Este é um assunto controverso, e há professores de inglês que não se incomodam de traduzir. Eu, no entanto, tenho isso como convicção.

Os alunos em geral pedem a tradução de tudo o que aprendem, pois acham que esse é o método certo para aprender. Mas saber a palavra em português e o seu equivalente em inglês não garante que você saiba falar inglês. E cabe aos professores mostrar aos alunos que é muito mais efetivo aprender inglês sem a tradução.

Quando aprendemos a nossa própria língua vamos associando os objetos (ou coisas abstratas como as emoções) com as palavras. De tanto ouvirmos, as coisas começam a fazer sentido para nós até que começamos a usar as palavras naturalmente. Há muita coisa que a gente sabe, mas não sabe explicar. Há palavras que a gente usa, mas se tiver que dar a definição para alguém não consegue.

Outro dia a minha filha Bruna leu uma placa numa loja que dizia algo mais ou menos assim: “Mercadorias só poderão ser devolvidas mediante a apresentação do recibo”. Ela me perguntou o que significava “mediante”. Eu disse que não aceitavam trocar mercadorias se a pessoa não trouxesse o recibo. Ela me perguntou: “Mas o que quer dizer a palavra ‘mediante’?” Eu não sei dar um sinônimo para essa palavra. Eu sei usá-la num contexto, mas não sei defini-la com precisão.

Quando nós aprendemos inglês também funciona mais ou menos assim. A gente aprende como se dizem as coisas, mas há coisas que não sabemos explicar. E há muita coisa que a gente aprende sem saber a palavra equivalente em português.

Muita gente acha que é só pegar as palavras em português e traduzir para o inglês que estará falando ou escrevendo inglês. E acaba falando uma língua que  eu chamo de “português traduzido”. Essa língua é uma coisa que um nativo não entende.

Vejam este aviso que estava num barco onde eu fiz um passeio na Amazônia recentemente:

A pessoa que fez essa tradução traduziu palavra por palavra e escreveu algo que não é inglês. Há vários outros exemplos disso como o restaurante que escreveu “Against Grilled Steak” embaixo de “Contra filé grelhado”. Ou aquele outro que escreveu “Filet of boyfriend” embaixo de “Filé de namorado”.

A música “Ai Se eu Te Pego” de Michel Teló, sucesso mundial, agora tem a sua versão em inglês – ou algo que parece inglês mas não é. A gente até que acha engraçado e dá muita risada dos absurdos de tradução e de pronúncia, mas na verdade é triste, pois muita gente vai cantar isso no Brasil achando que está cantando em inglês. E quem não sabe inglês, acaba aprendendo errado.

Por isso eu sempre encorajo as pessoas a aprenderem inglês sem a tradução. Embora pareça mais difícil no começo, o resultado será muito melhor. E não faz mal que você saiba falar uma coisa mas não saiba como dizer isso em português. E também não faz mal que há palavras que você sabe falar em inglês mas não sabe falar em português. Isso é absolutamente normal.

Até mais,

Carlos

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