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Dica 590 – A Hora da Mentira e a Hora da Verdade

junho 4, 2014

Quase tudo o que acontece numa aula de inglês é de mentira.  É como um ensaio para uma peça de teatro. Você ensaia muito para o dia da estreia, quando vai fazer a peça de verdade. Mas se você não se dedicar nos ensaios e fizer como se fosse de verdade, na hora da verdade não vai sair bom.

A maioria das situações numa aula de inglês é de mentira. O professor manda você levantar e perguntar para três pessoas qual o dia do aniversário delas, mas você não tem o menor interesse em saber que dia é o aniversário daquelas pessoas. Tanto que, quando a aula acabar, você provavelmente nem vai se lembrar.

O professor manda vocês conversarem sobre globalização, e isso é um assunto que não te interessa nem um pouco. Você preferia conversar sobre qualquer outra coisa, mas tem que falar sobre aquilo, pois é parte da aula.

Você assiste a um vídeo que não te interessa e tem que discutir o que entendeu. Na sua vida real, você nunca iria assistir a um vídeo desses, mas faz parte da aula.

Você manda uma criança de 8 anos sair pela sala imaginando que está na rua perguntando “Onde fica o supermercado?” como se uma criança dessa idade fosse sair na rua sozinha procurando.

Calma aí, não estou dizendo que a aula de inglês não é interessante! É sim! A aula é divertida e tem até muita gente que se interessa pelos assuntos discutidos nela. O que eu estou dizendo é que as coisas são falsas, pois é uma situação falsa. Você está fazendo de conta que está falando sobre aqueles assuntos. No entanto, são essas coisas falsas que vão preparar você para a hora da verdade, quando você vai realmente querer usar o inglês.

N0 dia em que você estiver na sua casa e quiser assistir a um filme em inglês, você vai assistir a um filme que você mesmo escolheu. E vai entender um pouco de inglês graças aqueles momentos que teve na sala de aula assistindo ao que a escola achava que você devia assistir.

Quando você estiver conversando com alguém em inglês, você vai falar sobre o assunto que quiser, mas estará instrumentalizado pela prática que teve na sala de aula. A hora da mentira prepara você para a hora da verdade.

Agora pense bem nos momentos que você tem na sala de aula que poderiam ser de verdade, mas que você não usa. São aqueles momentos em que você perde a oportunidade de falar inglês de verdade. Por exemplo, quando você precisa de uma borracha emprestada e cochicha para o colega do lado em português. Pronto, você acabou de desperdiçar um ótimo momento para usar o seu inglês numa situação de verdade.

E no final da aula, quando todos os alunos já estão saindo, e você vai perguntar alguma coisa ao professor, e como a aula “já acabou” fala em português? Essa seria uma ótima hora da verdade, pois você está realmente perguntando uma coisa que quer saber e o professor vai dar uma resposta que interessa a você. Por que não se comunicar em inglês? Afinal, você está estudando inglês para se comunicar na hora da verdade. E a hora que você faz uma pergunta de verdade e ouve uma resposta de verdade, você prefere falar em português! Que desperdício! Passou a aula falando sobre assuntos que o professor mandou você falar, e quando tinha que falar mesmo, não usou o inglês!

E quando você chega na escola e fica esperando a aula começar e o professor chegar? Por que não aproveita esses momentos para conversar em inglês com os outros colegas? É um bom momento para uma conversa de verdade.

São esses momentos “de verdade” que dão a você a chance de ver se o inglês que você está aprendendo está servindo para alguma coisa! Você consegue se comunicar em inglês, ou na hora de se comunicar precisa  usar o português?

Eu me lembro da minha primeira viagem para os Estados Unidos, em 1990. Eu já era professor de inglês, já falava e ensinava inglês, mas nunca tinha saído do Brasil. Você sabe que em algumas aulas a gente ensina os alunos a pedirem informações sobre como chegar a um determinado lugar. Pois bem, eu e um grupo de amigos que estavam fazendo um curso de verão na Universidade da Flórida alugamos um carro para passear no feriado de 4 de julho. Eu dirigi uma boa parte da viagem. Num determinado momento, nós nos perdemos. Eu resolvi sair do carro e testar se a pergunta que eu ensinava funcionava mesmo. Encontrei um homem parado e lancei um “Can you tell me how to get to ___?” Quando o homem respondeu eu fiquei tão feliz! Vi que aquela expressão que eu já tinha ensinado tantas vezes funcionava de verdade. E fiquei comemorando! “It works! It works!”

Lembre-se de que tudo o que a gente quer na aula de inglês é conseguir usar o nosso inglês. Use-o e ele só vai melhorar!

Até mais,

Carlos

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Dica 586 – Você não entende as letras das músicas? Então você é normal!

março 27, 2014

Todo mundo que me escreve ou fala comigo reclama que não consegue entender as letras das músicas. Se você tem este problema, a boa notícia é que você é absolutamente normal!

É difícil entender todas as palavras de um música. E isso até para pessoas que são fluentes em inglês. Até os nativos não conseguem entender todas as palavras de uma música. Eu já tive essa experiência quando não conseguia entender um trecho de uma música e perguntei a vários nativos e nenhum deles conseguiu entender.

Vejam esse vídeo que o meu amigo Mauro Ajaj Sayeg compartilhou no facebook hoje. É um trecho do “The Tonight Show”, que agora é apresentado por Jimmy Fallon. Nesse trecho, eles pedem quem as pessoas tuítem trechos de músicas que cantam errado. E dão risada dos seus próprios erros.

Como você pode ver, nem os nativos entendem tudo e cantam errado. Só que quando eles erram, eles não ficam se martirizando por não saber inglês. Eles sabem inglês, mas não entenderam uma parte da música. Se para eles não há problema nisso, por que deveria haver para você? Não entender o que é cantado não significa que o seu inglês é ruim.

Pense nas músicas em português que você canta ou já cantou errado. Pense em pessoas que você conhece que cantam músicas erradas. Nós somos nativos em português e também não entendemos tudo. (Eu já escrevi outras dicas falando nisso. Dê uma olhada no blog.)

Eu sempre aconselho que quando estamos aprendendo a cantar uma música nova devemos ler a letra junto, pois assim garantimos que vamos aprender a cantar corretamente. Muitas vezes nós cantamos e achamos que está certo, e nem nos damos conta de que estamos cantando errado. E gravando a letra errada na nossa cabeça, vamos cantar errado para sempre, pois a palavra não sai mais da nossa memória.

Cante em inglês, pois é divertido e ajuda a melhorar o seu inglês. E relaxe se não entender! É normal e não há problema nenhum

Até mais,

Carlos

Dica 478 – Para aprender inglês, fale inglês

junho 25, 2012

No dia 24 de junho de 2012 a Folha de São Paulo publicou o seu tradicional caderno Idiomas, e desta vez o assunto mais falado foi sobre famílias que viajam para o exterior para passear e aprender inglês ao mesmo tempo. Várias das matérias do caderno falam sobre famílias que viajaram e ficaram na casa de um professor, famílias que fizeram um curso, ou famílias que iam passear com um professor que só falava inglês com elas.

Uma coisa é comum a todas as histórias: todos disseram que estando num país estrangeiro e com um professor, você é obrigado a falar só em inglês, e por isso aprende de verdade.

Eu adoro viajar, e acho que viajar é maravilhoso, mas não acho que é só assim que se aprende inglês. Eu mesmo só saí do Brasil pela primeira vez quando já era professor de inglês. Aprendi inglês aqui, e numa época em que não havia tantos recursos como hoje, como Internet, TV a cabo, DVDs, etc.

No entanto, falar só inglês ajuda mesmo aprender. E se isso é verdade, por que você não faz isso aqui mesmo?

Eu tenho vários alunos que reclamam quando eu não falo português ou quando não quero traduzir alguma coisa para eles. Eles não se dão conta de que eu faço isso para o bem deles mesmos. Se eles tiverem que se esforçar para falar inglês, vão aprender muito mais.

Fale inglês na sala de aula. Esqueça o português. Faça um esforço para usar só o inglês. Se você não sabe como falar, dê um jeito: explique de outra maneira, faça gestos ou desenhe no ar. Se você falar algo errado, o seu professor vai corrigi-lo e você vai aprender a maneira correta de falar. Aprender é uma questão de tentativa, erro e outra tentativa.

Viajar é muito bom, e na minha opinião o dinheiro melhor gasto é com viagens. Viaje, pois é uma experiência incrível.

Mas não é que você “precisa” viajar para aprender. Dá para aprender aqui, sim. Tudo depende da sua atitude!

Até a próxima,

Carlos

Dica 452 – Os tradutores online

abril 10, 2012

Hoje em dia há muitos serviços de tradutores online. Você escreve a frase em português e consegue a tradução em “inglês”. Ou consegue traduzir qualquer coisa de qualquer língua para outra.

Você percebeu que eu escrevi “inglês”, entre aspas? É porque o que você obtém com essas traduções não é inglês de verdade. Você pode pensar que é, e pode até se parecer com inglês, mas aquilo não é inglês. A tradução é feita palavra por palavra, ao pé da letra, e o resultado é lamentável. Como eu já escrevi uma vez antes, colocar um monte de palvaras em inglês juntas não forma necessariamente uma frase em inglês.

Recentemente estive com a minha família em Porto Alegre, e fomos fazer um passeio de barco pelas águas do Guaíba, um passeio lindo por sinal. O barco tinha um serviço de auto falantes que ia narrando o passeio. Os trechos eram narrados em português e depois em “português traduzido”. Eles tiveram a intenção de fazer a narração em inglês, mas o inglês era tão ruim que uma pessoa que só falasse inglês teria ficado sem entender muita coisa. Dava para se perceber claramente que aquela tradução havia sido feita num desses tradutores online. Além de haver muitas palavras erradas, havia muitas frases sem sentido. Sem falar na pronúncia da narradora, que era muito ruim, dificultando a compreensão para um visitante estrangeiro.

Traduzir algo de uma língua para outra é um trabalho muito difícil e por isso existem profissionais especializados nisso. Para ser um tradutor, é preciso estudar muito e praticar muito. Isso sem falar nos conhecimentos necessários, pois o tradutor precisa entender o que está traduzindo e conhecer o vocabulário específico – nas duas línguas. Eu, por exemplo, sou fluente em inglês, mas não sei traduzir.

Para a maioria das pessoas que quer apenas aprender inglês, traduzir de uma língua para a outra não adianta nada. Na hora de você falar com alguém ou de escrever um texto você não vai pensar numa língua, traduzir para a outra e depois falar ou escrever. É muito mais importante você conseguir pensar diretamente no idioma que você vai usar.

Sim, no começo é difícil, mas depois de vencida a barreira inicial tudo fica mais fácil. É questão de treino.

Por isso, fuja dos tradutores online ou dos dicionários que dão a tradução. Mesmo que você seja um aluno iniciante, procure sempre pesquisar as palavras num dicionário inglês-inglês, onde você lê a explicação e os exemplos em inglês. Pode ser que você não entenda tudo no início, ou mesmo que não entenda nada da explicação, mas com o tempo vai entender mais e mais. E você pode procurar em mais de um dicionário, ler as definições e exemplos até começar a entender o que a palavra significa.

Isso acontece também em português. Às vezes você vai procurar o que significa uma palavra e não entende a explicação. Veja por exemplo o que eu achei quando fui procurar no dicionário a palavra tardigradismo: é a qualidade do que é tardígrado. Dá para perceber que essa definição não ajudou em nada. Mas aí fui procurar a palavra tardígrado e achei: que anda devagar, que caminha lentamente. Veja que basta você procurar um pouco mais que acaba descobrindo. E é uma excelente maneira de melhorar o seu vocabulário.

Pensar em inglês e entender inglês não é difícil. Basta você querer e tentar.

Até a próxima,

Carlos

Dica 422 – Não basta traduzir as palavras para falar em inglês

fevereiro 1, 2012

Eu já comentei diversas vezes que na minha opinião não se deve aprender inglês traduzindo as palavras. Este é um assunto controverso, e há professores de inglês que não se incomodam de traduzir. Eu, no entanto, tenho isso como convicção.

Os alunos em geral pedem a tradução de tudo o que aprendem, pois acham que esse é o método certo para aprender. Mas saber a palavra em português e o seu equivalente em inglês não garante que você saiba falar inglês. E cabe aos professores mostrar aos alunos que é muito mais efetivo aprender inglês sem a tradução.

Quando aprendemos a nossa própria língua vamos associando os objetos (ou coisas abstratas como as emoções) com as palavras. De tanto ouvirmos, as coisas começam a fazer sentido para nós até que começamos a usar as palavras naturalmente. Há muita coisa que a gente sabe, mas não sabe explicar. Há palavras que a gente usa, mas se tiver que dar a definição para alguém não consegue.

Outro dia a minha filha Bruna leu uma placa numa loja que dizia algo mais ou menos assim: “Mercadorias só poderão ser devolvidas mediante a apresentação do recibo”. Ela me perguntou o que significava “mediante”. Eu disse que não aceitavam trocar mercadorias se a pessoa não trouxesse o recibo. Ela me perguntou: “Mas o que quer dizer a palavra ‘mediante’?” Eu não sei dar um sinônimo para essa palavra. Eu sei usá-la num contexto, mas não sei defini-la com precisão.

Quando nós aprendemos inglês também funciona mais ou menos assim. A gente aprende como se dizem as coisas, mas há coisas que não sabemos explicar. E há muita coisa que a gente aprende sem saber a palavra equivalente em português.

Muita gente acha que é só pegar as palavras em português e traduzir para o inglês que estará falando ou escrevendo inglês. E acaba falando uma língua que  eu chamo de “português traduzido”. Essa língua é uma coisa que um nativo não entende.

Vejam este aviso que estava num barco onde eu fiz um passeio na Amazônia recentemente:

A pessoa que fez essa tradução traduziu palavra por palavra e escreveu algo que não é inglês. Há vários outros exemplos disso como o restaurante que escreveu “Against Grilled Steak” embaixo de “Contra filé grelhado”. Ou aquele outro que escreveu “Filet of boyfriend” embaixo de “Filé de namorado”.

A música “Ai Se eu Te Pego” de Michel Teló, sucesso mundial, agora tem a sua versão em inglês – ou algo que parece inglês mas não é. A gente até que acha engraçado e dá muita risada dos absurdos de tradução e de pronúncia, mas na verdade é triste, pois muita gente vai cantar isso no Brasil achando que está cantando em inglês. E quem não sabe inglês, acaba aprendendo errado.

Por isso eu sempre encorajo as pessoas a aprenderem inglês sem a tradução. Embora pareça mais difícil no começo, o resultado será muito melhor. E não faz mal que você saiba falar uma coisa mas não saiba como dizer isso em português. E também não faz mal que há palavras que você sabe falar em inglês mas não sabe falar em português. Isso é absolutamente normal.

Até mais,

Carlos