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Dica 452 – Os tradutores online

abril 10, 2012

Hoje em dia há muitos serviços de tradutores online. Você escreve a frase em português e consegue a tradução em “inglês”. Ou consegue traduzir qualquer coisa de qualquer língua para outra.

Você percebeu que eu escrevi “inglês”, entre aspas? É porque o que você obtém com essas traduções não é inglês de verdade. Você pode pensar que é, e pode até se parecer com inglês, mas aquilo não é inglês. A tradução é feita palavra por palavra, ao pé da letra, e o resultado é lamentável. Como eu já escrevi uma vez antes, colocar um monte de palvaras em inglês juntas não forma necessariamente uma frase em inglês.

Recentemente estive com a minha família em Porto Alegre, e fomos fazer um passeio de barco pelas águas do Guaíba, um passeio lindo por sinal. O barco tinha um serviço de auto falantes que ia narrando o passeio. Os trechos eram narrados em português e depois em “português traduzido”. Eles tiveram a intenção de fazer a narração em inglês, mas o inglês era tão ruim que uma pessoa que só falasse inglês teria ficado sem entender muita coisa. Dava para se perceber claramente que aquela tradução havia sido feita num desses tradutores online. Além de haver muitas palavras erradas, havia muitas frases sem sentido. Sem falar na pronúncia da narradora, que era muito ruim, dificultando a compreensão para um visitante estrangeiro.

Traduzir algo de uma língua para outra é um trabalho muito difícil e por isso existem profissionais especializados nisso. Para ser um tradutor, é preciso estudar muito e praticar muito. Isso sem falar nos conhecimentos necessários, pois o tradutor precisa entender o que está traduzindo e conhecer o vocabulário específico – nas duas línguas. Eu, por exemplo, sou fluente em inglês, mas não sei traduzir.

Para a maioria das pessoas que quer apenas aprender inglês, traduzir de uma língua para a outra não adianta nada. Na hora de você falar com alguém ou de escrever um texto você não vai pensar numa língua, traduzir para a outra e depois falar ou escrever. É muito mais importante você conseguir pensar diretamente no idioma que você vai usar.

Sim, no começo é difícil, mas depois de vencida a barreira inicial tudo fica mais fácil. É questão de treino.

Por isso, fuja dos tradutores online ou dos dicionários que dão a tradução. Mesmo que você seja um aluno iniciante, procure sempre pesquisar as palavras num dicionário inglês-inglês, onde você lê a explicação e os exemplos em inglês. Pode ser que você não entenda tudo no início, ou mesmo que não entenda nada da explicação, mas com o tempo vai entender mais e mais. E você pode procurar em mais de um dicionário, ler as definições e exemplos até começar a entender o que a palavra significa.

Isso acontece também em português. Às vezes você vai procurar o que significa uma palavra e não entende a explicação. Veja por exemplo o que eu achei quando fui procurar no dicionário a palavra tardigradismo: é a qualidade do que é tardígrado. Dá para perceber que essa definição não ajudou em nada. Mas aí fui procurar a palavra tardígrado e achei: que anda devagar, que caminha lentamente. Veja que basta você procurar um pouco mais que acaba descobrindo. E é uma excelente maneira de melhorar o seu vocabulário.

Pensar em inglês e entender inglês não é difícil. Basta você querer e tentar.

Até a próxima,

Carlos

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Dica 422 – Não basta traduzir as palavras para falar em inglês

fevereiro 1, 2012

Eu já comentei diversas vezes que na minha opinião não se deve aprender inglês traduzindo as palavras. Este é um assunto controverso, e há professores de inglês que não se incomodam de traduzir. Eu, no entanto, tenho isso como convicção.

Os alunos em geral pedem a tradução de tudo o que aprendem, pois acham que esse é o método certo para aprender. Mas saber a palavra em português e o seu equivalente em inglês não garante que você saiba falar inglês. E cabe aos professores mostrar aos alunos que é muito mais efetivo aprender inglês sem a tradução.

Quando aprendemos a nossa própria língua vamos associando os objetos (ou coisas abstratas como as emoções) com as palavras. De tanto ouvirmos, as coisas começam a fazer sentido para nós até que começamos a usar as palavras naturalmente. Há muita coisa que a gente sabe, mas não sabe explicar. Há palavras que a gente usa, mas se tiver que dar a definição para alguém não consegue.

Outro dia a minha filha Bruna leu uma placa numa loja que dizia algo mais ou menos assim: “Mercadorias só poderão ser devolvidas mediante a apresentação do recibo”. Ela me perguntou o que significava “mediante”. Eu disse que não aceitavam trocar mercadorias se a pessoa não trouxesse o recibo. Ela me perguntou: “Mas o que quer dizer a palavra ‘mediante’?” Eu não sei dar um sinônimo para essa palavra. Eu sei usá-la num contexto, mas não sei defini-la com precisão.

Quando nós aprendemos inglês também funciona mais ou menos assim. A gente aprende como se dizem as coisas, mas há coisas que não sabemos explicar. E há muita coisa que a gente aprende sem saber a palavra equivalente em português.

Muita gente acha que é só pegar as palavras em português e traduzir para o inglês que estará falando ou escrevendo inglês. E acaba falando uma língua que  eu chamo de “português traduzido”. Essa língua é uma coisa que um nativo não entende.

Vejam este aviso que estava num barco onde eu fiz um passeio na Amazônia recentemente:

A pessoa que fez essa tradução traduziu palavra por palavra e escreveu algo que não é inglês. Há vários outros exemplos disso como o restaurante que escreveu “Against Grilled Steak” embaixo de “Contra filé grelhado”. Ou aquele outro que escreveu “Filet of boyfriend” embaixo de “Filé de namorado”.

A música “Ai Se eu Te Pego” de Michel Teló, sucesso mundial, agora tem a sua versão em inglês – ou algo que parece inglês mas não é. A gente até que acha engraçado e dá muita risada dos absurdos de tradução e de pronúncia, mas na verdade é triste, pois muita gente vai cantar isso no Brasil achando que está cantando em inglês. E quem não sabe inglês, acaba aprendendo errado.

Por isso eu sempre encorajo as pessoas a aprenderem inglês sem a tradução. Embora pareça mais difícil no começo, o resultado será muito melhor. E não faz mal que você saiba falar uma coisa mas não saiba como dizer isso em português. E também não faz mal que há palavras que você sabe falar em inglês mas não sabe falar em português. Isso é absolutamente normal.

Até mais,

Carlos